Mitologia Celta Irlandesa – Cúchulainn

Os Padrinhos e Madrinhas votaram e nós atendemos: Conheçam Cú Chulainn, o herói celta.

A princesa Dechtiré era irmã do rei Conchobar e certa vez desapareceu do palácio. Enquanto esteve fora, ela recebeu o deus solar Lugh em sonho e a engravidou. O filho nasceu após 3 anos. Seu nome era Setanta.

Cresceu entre os guerreiros do Ciclo do reino de Ulster e logo se destacou. Ainda criança, era tão rápido que atirava uma bola, lança e outros elementos e corria para apanhá-los antes de caírem no chão; era tão forte que lutou contra 50 escudeiros, e ganhou de todos

Com sete anos foi convidado por seu tio e rei Conchobar à um banquete na casa do Mestre ferreiro Culann. Setanta porém acabou chegando atrasado e Culann já tinha soltado seu terrível cão de guarda. Para segurar o cão, era preciso três correntes e para segurar cada corrente era necessário três homens.

Solto e vendo Setanta se aproximar, corre para atacá-lo. O menino então pegou sua bola e a atirou contra o cão. A bola entrou pela garganta , atravessou seu estômago e saiu pelo outro lado. Depois ainda o pegou pela patas traseiras e o jogou contra uma grande pedra. O cão despedaçou no chão.

Culann, o ferreiro e dono do cão agora morto, se lamentou. Como suas propriedades ficariam seguras agora? Setanta culpado por não conseguir medir suas forças ficou no lugar do cão até que Culann conseguisse um novo cão, tão terrível quanto o anterior. Assim, Setanta se tornou Cú Chulainn, o cão de Culann. Assim, ficou proibido de comer carne de cachorro e não aceitar a hospitalidade de alguém, se esse tabu fosse quebrado, o levaria à morte.

Alguns anos depois, os druidas revelaram que aquele que fosse iniciado como guerreiro naquele dia, seria o mais ilustre de toda a Irlanda, mas teria uma breve vida. Cuchulainn ignorou a segunda parte da revelação e foi obter suas armas, o que o tornaria o mais célebre.

Agora um guerreiro, Cuchulainn precisaria provar ser digno do título. Assim, saiu com seu carro e enfrentou os três filhos do rei Necht, grande inimigo do Reino de Ulster, que ninguém havia conseguido enfrentar, levando suas cabeças como troféus, ainda capturou gamos e cisnes vivos, considerado impossível.

Seus feitos foram possíveis graças à uma cólera da qual era acometido e o deixava invencível. Ao retornar para casa, ainda estava tomado dessa cólera e para acalmá-lo, os sábios de Ulster aconselharam que todas as mulheres jovens (em número de três vezes cinquenta) ficassem seminuas e Cuchulainn deveria dominar sua cólera. Assim, desviando o olhar, ele deixou-se em três barris de água gelada. A primeira explodiu, a segunda ferveu e a terceira aqueceu, esfriando finalmente o herói.

Os demais guerreiros começaram a ter medo de que suas esposas se apaixonassem por Cuchulainn, pois ele tinha todas as virtudes de um guerreiro. Assim, o apresentaram à Emer, filha de Forgall, que possuía todas as virtudes de uma donzela e Cuchulainn se apaixonou.

Forgall prometeu que entrega sua sua filha apenas de fosse aprender novas artes guerreiras com Domnal, esperando que ele nunca voltasse.

Cuchulainn com três companheiros se encontrou com Domnal, que lhes sugeriu irem à Alba – Escócia – receber instruções de Scathach. Mas antes de irem, Domnal ofereceu sua filha a Cuchulainn. Ele se negou. Domnal então jogou uma maldição fazendo com que apenas Cuchulainn conseguisse prosseguir.

Cuchulainn chegou à Alba após encontrar algumas provas no caminho e se encontrou com Scathach, a mestra da guerra. Lá fez grandes amigos como Ferdiad, do reino de Connaught. No fim de seus estudos enfrentou Aiffé, inimiga de Scathach, que se rendeu após ter gerado um filho do herói, prometendo que instruiria ele a nunca revelar seu parentesco antes da idade de virar guerreiro. Assim, ele conquista a Gae Bulga, uma lança mágica que só dava feridas mortais, e retorna para Ulster com a promessa de nunca enfrentar seus amigos iniciados.

Ao retornar, o pai de Emer foge com a filha, mas Cuchullain o captura e casa com Emer.

Nessa época havia outros reinos na Irlanda como Munster, Leinster, Meath e Connaught, cuja rainha era Madb.

Madb havia discutido com seu marido Ailil sobre quem teria mais posses, e Ailil possuía um item a mais, um Touro branco mágico. Madb então organizou forças para roubar o mágico Touro castanho de Cooley (Táin Bó Cúailnge), que estava no Reino de Ulster.

Os guerreiros de Ulster passavam por uma maldição periódica por terem desrespeitado a deusa Macha. Essa maldição os deixava incapazes de combater. E foi nesse período que Madb enviou seus guerreiros invadir Ulster, fazendo com o que o conde Fergus seu amante, deserdasse e passasse para seu lado comandando o exército.

Apenas Cuchulainn, de origem divina, estava ileso e montou uma barreira para que nenhum carro conseguisse entrar no reino e combateu dia após dia durante três meses os guerreiros inimigos que chegavam a pé, pois estava tomado pela cólera. Recebeu também ajuda de seu pai, o deus Lugh, que o curava com ervas e bebidas; e também da deusa da guerra: Morrigan.

Morrigan dá conselhos a Cuchullain e até oferece seu amor, mas depois de rejeitada, começa a prejudicar o herói.

Os Touros também entram em conflito, o banco e o castanho, e o Touro castanho de Cooley acaba vencendo o branco, mas o cansaço da batalha acaba o matando também.

O último guerreiro que Cuchulainn precisa enfrentar, é seu irmão de treinamento em Alba: Ferdiad, que havia se rendido às promessas da rainha Madb.

Por três dias lutaram, inicialmente trocando gentilezas, sendo amigos durante à noite e lutando quando amanhecia. No fim do terceiro dia, Cuchulainn acerta um golpe mortal e Ferdiad morre.

Com o fim dos três meses, os guerreiros de Ulster voltaram da maldição e se reuniram para lutar contra os inimigos que ainda tentavam contra o reino, e os colocaram para correr.

Após um ano, quando novamente os guerreiros de Ulster ficaram abatidos, Madb mandou novamente os exércitos. Como Cuchulainn ainda não tinha se recuperado, Conchobar o impediu de lutar, enviando-o para um reino distante, onde se apaixonou por uma das mulheres “encantadas”. Lá ele ficaria até que fosse permitido ir embora. Após alguns conflitos, ele parte para o Vale dos Surdos para se esconder, pois ainda não está bem o suficiente.

No caminho, um guerreiro chamado Conlach desafia Cuchulainn, mas acaba morto em pouquíssimo tempo. Porém, ele era o filho de Aiffé com o próprio Cuchulainn, seu único filho, mas não teve tempo de lhe dizer. Com essa descoberta entra numa crise onde a tristeza atormenta sua alma.

Com sede de vingança, três feiticeiras filhas de Callatin, que Cuchullain tinha matado, atraem o herói para uma planície distante sob a forma de corvos, e deram-lhe carne de cão, violando seus preciosos tabus, perdendo suas forças. Nessa cilada, outros do reino de Connaught apoderaram-se de sua lança mágica e foi atacado por muito guerreiros.

Apesar de ter recebido presságios que ignora, Cuchulainn foi atingido no peito fatalmente. Se prende à uma pedra ou árvore para se manter em pé e por três dias ainda luta contra os inimigos.

Depois dos três dias, um corvo, símbolo da deusa Morrigan, pousa em seu ombro e ele morre.

O inimigo ainda cortaria sua cabeça como troféu, mas a espada de Cuchulainn corta sua mão.

 

Algumas recomendações de leitura que nos ajudaram na pesquisa:
– História das Mitologias II – Félix Guirand
– Tudo o que precisamos saber, mas nunca aprendemos, sobre mitologia – Kenneth C. Davis
– Mitologia Geral II – Maria Lamas
– História das Mitologias do Mundo – Nanon Gardin
– Mitologia Ocidental – Joseph Campbell
– O Herói de Mil Faces – Joseph Campbell
– O Conhecimento Sagrado de Todas as Eras – Mircela Eliade
– The Mithology of all Races III – by John Arnot Macculloch and Louis Herbert Gray (Editor)
– Táin Bó Cúailnge, Um épico irlandês – Dominique Vieira Coelho dos Santos e Elaine Cristine dos Santos Pereira Farrell
– O Banquete Celta na literatura irlandesa antiga – Dra. Celia Ruiz Fuente
– Lendas da Irlanda, Introdução e Ciclo do Ulster – Brendan O`Dwyer; Tradução de Carlos Trincão
– Cuchullain – Tradução por Antonio L. Furtado
– The Encyclopedia of Celtic Mythology and Folklore – Patricia Monaghan

Deixe um comentário